4.4.09

So-corro

Ninotchka Fedorovna, 4 anos, no carro.
- Mamãe, quando eu vou mudar de escola?
- Quando você tiver 5 anos vai pra escola X, fazer o primeiro ano.
- E depois vou pra qual?
- Se você gostar, pode ficar lá muitos anos, até escolher no que vai trabalhar e qual faculdade vai fazer...
- Mas eu não preciso fazer faculdade, mamãe. O que eu quero ser não precisa estudar.
- AH É? E o que a senhorita quer ser quando crescer?
- Mãe.

pergunte ao pixel

31.3.09

Fui demitido. Justa causa.

É, amigos. Parece que teremos mais um blogueiro (odeio esse termo) nessa vidaloka de internet 24h por dia, 7 dias por semana. Esse blogueiro, acreditem, sou eu. Pois é. Tristeza para uns (eu), tristeza para outros (vocês). E agora estou postando de uma lan house, aqui na rua da Amargura (passei o ano inteiro esperando só pra fazer essa piada hahahaha riam).

Como estagiário, aprendi milhões de coisas e fui muito bem sucedido nas minhas funções. Juro que não entendo o porquê de me demitirem… Eu tinha várias funções que fazia com excelência, entre elas:

1. Tirar xerox. 3.1 segundos por página. Contando o tempo pro multifuncional ligar, claro.

2. Passar café. Sério… chamem a Ana Maria Braga, o Hugo, a Palmirinha… meu café faz as pessoas ficarem apaixonadas. Não sei porque eu disse isso, mas ok.. valeu pra reforçar.

3. Comprar cigarro e pão. 1 minuto e 27 segundos. Ida e volta.

4. Fazer jogos na Mega-Sena, Dupla-Sena, Lotofácil, Loteria Esportiva… Como manjo de futebol, ainda tinha que falar quem seria o vencedor das partidas. Se eu errasse, me faziam pagar pela aposta. Se eu acertasse… bem, nunca acertei, porque sempre mandei o pessoal apostar em vitória do Corinthians… hahahaha pena que ele nunca ganha hahahaha.

Eu era muito bom. Mesmo. Fazia tudo bonitinho, certinho, até que peguei uma certa confiança com o pessoal e resolvi fazer uma brincadeirinha inocente. É impressionante o nível de stress e conturbação em um ambiente de trabalho. Quis dar uma amenizada na galera, deixar o povo feliz e fui recompensado com uma bela de uma demissão por justa causa. Puta sacanagem!

Vou contar toda minha rotina desse dia catastrófico. Era quinta-feira, 26 de março, quando cheguei ao trabalho. Era longe e, por isso, eu chegava cedo. Não porque era longe, mas porque meu amigo me dava carona até um lugar “pertinho” dali. Pertinho tá entre aspas porque não era tããããão perto assim. Eu tinha que andar mais 6 km a pé pra chegar na agência. Chegava todo dia umas 7h30 da manhã, quando, na verdade, era pra chegar umas 11h, devido a essa nova lei de estagiário. Eu era feliz. Não ligava mesmo. Nem pelo salário mínimo que mal me pagavam.

Nesse dia, passei na padaria no meio do caminho. Demonstrando muita proatividade, comprei pão e 3 Marlboro. Já queria ter na mão sem nem mesmo me pedirem. Quando abri a agência (sim, me deixam com a chave porque o pessoal só começa a chegar lá pelas 11h), já vi uma montanha de folhas para eu xerocar na minha mesa. Xeroquei tudo, fiz café e deixei tudo nos trinques (minha mãe que usa essa gíria rs). Como tinha saído um pouco mais cedo no outro dia, deixaram um recado na minha mesa: “pegar o resultado da mega-sena na lotérica”. Como tinha adiantado tudo, fui buscar o resultado lá. No meio do caminho, tive a ideia mais genial da minha vida e, consequentemente, a mais estúpida.

Peguei o resultado do jogo: 01/12/14/16/37/45. E o que fiz? Malandro que sou, peguei uns trocados e fiz uma aposta igual a essa no caixa. Joguei nos mesmos números, porque, na minha cabeça, claro, minha brilhante ideia renderia boas risadas. Levei os 2 papeizinhos (o resultado do sorteio e minha aposta) para a agência novamente. Ainda ninguém tinha dado as caras. Como sabia onde o pessoal guardava os papeis das apostas, coloquei o jogo que fiz no meio do bolinho e deixei o papel do resultado à parte.

O pessoal foi chegando e quase ninguém deu bola pros jogos. Da minha mesa, eu ficava observando tudo, até que um cara, o Daniel, começou a conferir. Como eu realmente queria deixar o cara feliz, coloquei a aposta que fiz naquele dia por último do bolinho, que deveria ter umas 40 apostas. Coitado, a cada volante (sim, esse é o nome dos papelzinho com as apostas lá, rs) que ele passava, eu notava a cara de desolação dele. Bem triste. Foi quando ele chegou ao último papel. Já quase dormindo em cima do papel, vi ele riscando 1, 2, 3, 4, 5, 6 números. Ele deu um pulo e conferiu de novo. Esfregou os olhos e conferiu de novo, hahahaha. Tava ridículo, mas eu tava me divertindo. Deu um toque no cara do lado, o Rogério, pra conferir também. Ele olhou, conferiu e gritou: “PUTA QUE PARRRRRRRRIUUUUUUUUUU, TAMO RICO, PORRA”. Subiu na mesa, abaixou as calças e começou a fazer girocóptero com o pau. Enquanto isso, o Daniel pegou o telefone e ligou pra casa chorando, berrando que tinha ganho na Mega-Sena. Óbvio que isso gerou um burburinho em toda a agência e todo mundo veio ver o que estava acontecendo. Uns 20 caras faziam esse esquema de apostar conjuntamente. 8 deles, logo que souberam, não hesitaram: correram para o chefe e mandaram ele tomar bem no olho do cu e enfiar todas as planilhas do Excel na buceta da arrombada da mulher dele. No meu canto, eu ria que nem um filho da puta. Caí da cadeira de tanto rir. Todos parabenizando os ganhadores (leia-se: falsidade reinando, quero um pouco do seu dinheiro), com uns correndo pelados pela agência e outros sendo levados pela ambulância para o hospital devido às fortes dores no coração que sentiram com a notícia.

Como eu não conseguia parar de rir, uma vaquinha (leia-se: mulher) veio perguntar do que eu ria tanto. Eu disse: “puta merda, hahahahahahahaha esse jogo que hahahahahahaaha ele conferiu hahahahahaha eu fiz hoje de manhã hahahahahahaahahahahahaha”. A vaca me fuzilou com os olhos e gritou que nem uma putalouca: “PAREEEEEEEEEEM TUDO, ESSE JOGO FOI UMA MENTIRA. UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO DO ESTAGIÁÁÁÁÁÁÁRIO, AINDA POR CIMA.” Todos realmente pararam olhando pra ela. Alguns com cara de “quê?” e outros com cara de “ela tá brincando”. O cara que tava no bilhete na mão, cujo nome desconheço, olhou o papel e viu que a data do jogo era de 27/03. O silêncio tava absurdo e só eu continuava rindo. Ele só disse bem baixo: é… é de hoje. Nesse momento, parei de rir, porque as expressões de felicidade mudaram para expressões de ‘vou te matar’. Corri… corri tanto que nem quando eu estive com a maior caganeira do mundo eu consegui chegar tão rápido ao banheiro. Me tranquei por lá ao som de “estagiário filho da puta”, vou te matar, desgraçado” e “vou comer teu cu aqui mesmo”. Essa última foi do peladão, hahahaha.

Eu realmente tinha conseguido o feito de deixar aquelas pessoas com corações vazios, cheios de nada, se sentirem feliz uma vez na vida. Deveriam me dar uma medalha por eu conseguir aquele feito inédito. Mas não… só tentaram me linxar e colocaram um carimbo gigante na minha carteira de trabalho de demissão por justa causa. Belos companheiros!

Pelo menos levei mais 8 neguinho comigo, hahahahaa. Quem manda serem mal educados com o chefe. Eu não tive culpa alguma na demissão deles. Pena que agora eles me juraram de morte, hahahaha… tô rindo de nervoso. Falei aqui em casa que fui demitido por corte de verba (consegui justificar dizendo que mandaram mais 8 embora, rs) e que as ligações que tenho recebido são meus amigos da faculdade passando trote, hehehehe. Eu supero isso vivão e vivendo, tenho certeza.

É, amigos, descobri com isso que não se pode brincar em serviço mesmo.

:/

teletube

30.3.09

Ao menino com chapéu de caubói na porta da geladeira

Vai chegar um tempo em que você vai descobrir que já é muito velho para ser o Batman ou o Homem-Aranha. Vai chegar um tempo em que até os seus sonhos mais singelos e mais fáceis de realizar serão abalados e, ao pular do telhado, com o guarda-chuva aberto, você vai quebrar a bunda.

Pouco adianta a revolta. Espernear é para os bichos de muitas pernas e você só tem duas. Se preciso, use-as para correr, fugir ou ganhar impulso para pular sobre o buraco. Eu lembro quando você caiu na valeta e ficou coberto de, bem, coberto de lama.

A vida é isso aí, isso que se apresenta. O mundo está cheio de gente ruim se dando bem e cheio de gente boa se dando mal. Nem sempre o final é feliz, embora a gente quisesse que fosse.

Lembre que quando chegar o tempo em que você descobrir que tem amor, há a grande possibilidade de você o querer dar para quem não o quer ou, pior, para quem não merece. Não importa. Ele é seu. Não importa para quem o dê, sempre será seu. Acima de tudo, economize essa palavra que, falada em excesso, deixa um gosto de merda na boca. Aja mais. Fale menos. Melhor assim.

E é difícil entender como alguém poderá recusar o que você tem de mais legal para oferecer. Não se iluda, vão recusar. E é mais difícil ainda de admitir que nos enganamos e que demos pérolas aos porcos. Os porcos em geral, é bom que você saiba, têm a barriga cheia dessas preciosidades. Não ligue.

Não desista. Certas coisas precisam ser exercitadas o tempo todo para não atrofiar. O coração, por exemplo, é um músculo que não tem férias. Eu sei que parece pouco bonito enxergar no coração um órgão muscular cheio de sangue e não como uma manifestação mais etérea, atravessada de flechas ou outra bobagem. Nada de errado nisso. Portanto, antes de ser um poeta, seja um atleta.

Vai fazer diferença na cama. Mas seja também um poeta.

Logo, faça poemas. Escreva muito. Poesia é a salvação. Mas saiba que fazer poemas é a maior perda de tempo a que você se dedica. A vida vai continuar a mesma. Com contas para pagar e tudo, e cachorros que podem morder seu calcanhar. Uma fotografia pode ser mais bonita que a paisagem. Mas a vista da janela não vai mudar por causa dela. Poesia não faz ninguém se sentir melhor. No máximo, serve de placa de alerta na beira da estrada ou de quadro na parede. Estética não tem a ver com a felicidade, diretamente. Pode ser - repito, pode ser - apenas uma de suas expressões. Estética tem a ver certamente com energia, mas há muita energia tanto nos momentos bons e fluidos quanto nos momentos difíceis e encalhados.

A solidão, por exemplo, também tem seu charme, sua estética. Admire os solitários e veja como são poderosos. Alguém disse - Ibsen, eu acho - que o homem mais forte é o que está só. E, no entanto, ainda que fortes, ainda que charmosos, os solitários preferiam não sê-lo. Sim, a solidão tem seu charme. É uma pena que não tenha ninguém por perto para admirá-la.

Haverá o tempo em que você vai se questionar sobre as escolhas. E outros, mais jovens e imaturos, vão questionar como você, já nessa idade avançada - não importa qual seja -, pode ainda ter dúvidas, sem saber que eles mesmos as terão, as mesmíssimas dúvidas.

Esses questionamentos serão como pedras que lhe atiram durante toda a vida. Não se culpe. Saiba que o tempo vai seguir o seu curso inevitavelmente. Daqui a cem anos, as perguntas vão continuar as mesmas. Só mudarão as vítimas de suas interrogações.

Se fôssemos eternos poderíamos acompanhar essa rotina sem fim e perceber, sentir, que na verdade ela não importa. As pedras formam montanhas, as montanhas fazem cordilheiras e as cordilheiras, a geografia louca desse mundo em que ninguém se encontra direito e em que se prefere fazer perguntas sobre as escolhas alheias.

Alguma vez você vai achar que encontrou alguém e talvez encontre mesmo. Insista nessa busca. Mas lembre de fazer o mínimo de perguntas.

Ninguém é capaz de provocar mudanças em sua vida a não ser você mesmo. Seja responsável por todos os seus atos nobres e também por suas cagadas.

Por falar nisso, acredite quando alguém diz: “Fiz uma cagada em minha vida”. Ninguém usa a expressão “cagada” impunemente. Quem a diz é porque, em geral, está assumindo uma grande responsabilidade a respeito de algo que aconteceu. Uma “cagada” está para a vida do indivíduo como um cataclismo está para a natureza.

Já ouviu falar de Cracatoa? Cracatoa simplesmente sumiu. Às vezes é isso o que acontece. Temos vulcões, ilhas, penínsulas em nossa história. Fazemos algumas coisas inocentemente e mandamos tudo pelo ar. Às vezes não temos condições de prever as conseqüências de nossos atos mais simples. Há muita sabedoria em aprender a prevê-las. Aprenda, portanto.

Olha. Esqueça essas bobagens que eu disse a você. Vá se divertir. Eu tenho que salvar Gotham City.

Alessandro Martins, no cracatoa simplesmente sumiu

26.3.09

3 passos de etiqueta para Ex-Namorado Online

Tem um ex meu online há horas e eu realmente não queria puxar conversa, só queria saber o telefone dele. Eu explico, perdi a minha lista de contatos da agenda - em um ato de puro virgianismo da minha parte - tentando organizá-la. Daí o ex tá online, eu só queria o telefone dele porque é o último que tá faltando, só que não vou simplesmente perguntar e parecer que eu tô querendo retomar qualquer coisa porque broder... nem tô não.

É que tratar com ex na internet é sempre uma grande confusão. Eu, por exemplo, viro o rei da mensagem subliminar online com ex, logicamente na ocasião certa e a ocasião certa é quando o ex acabou de virar seu ex. Depois disso a melhor atitude é ignorar (que é o meu caso agora), mas antes o seu Messenger vira a ferramente ideal pra mandar o seu recado sem verbalizar, funciona assim em 3 simples passos:

* Avatar: Avatar é sua fotinha no Messenger. Assim que você ganha um ex ela deve ser mudada urgentemente para alguma foto de ocasião festiva que é pra imprimir desapego. E por ocasião festiva eu não me refiro a festas de família ou de formatura, tem que ser em um lugar que não corresponda a cidade onde você vive e sempre na presença de alguém do mesmo sexo (no meu caso e... ah no de vocês também!).

* Online/Offline: Se você precisa retomar algum assunto pendente com o seu ex e não quer ser aquele que vai puxar a conversa, é importante deixar bem claro que você acaba de entrar online. E se ele não perceber a sua entrada você aciona a ferramenta ficar invisível, conta até 15 e volta visível de novo. Você pode fazer isso umas 3 vezes, mais do que isso já parece um pouco de desespero de atenção. Se ele perguntar o porquê de tanto chove-não-molha você diz, "Ih, loucura minha conexão, tá caindo direto, mas aliás e ________ (insira aqui seu assunto pendente com o ex).

* "O que eu estou ouvindo": Essa idéia do "olha o que eu tô ouvindo agora" funciona bastante se você quer mandar um recado velado pro ex. Uma vez eu coloquei Lulu Santos - Assim Caminha a Humanidade e fiz dos versos de Lulu os meus ("Não te quero maiiiiiiiiiisssssss, não maissssssssssss, yeaaaaaaaaaaaaaah"). Se bem que eu não sei se fui muito feliz na minha escolha de música, porque sempre há o risco de transparecer um certo mal gosto, já que as melhores músicas pra esse tipo de coisa são as mais cafonas (vide I Will Survive e Por Causa de Você da Kelly Key, aliás, taí um musicão!).

Lembrando sempre que esses passos só devem ser tomados assim que você acabou de terminar o relacionamento e está naquela fase de anestesia do senso do ridículo, então dá pra fazer tudo aí o que foi citado anteriormente sem medo de parecer patético.

didi ferreira, no gay blog

22.3.09

Tirou fino

Bem que eu tinha sentido algo no ar.


Li, um tiquinho aterrado (aterrado é a palavra certa), que, na penúltima segunda-feira, um asteróide raspou a superfície da Terra, passando a uma distância de 72 mil Km - alizinho, o termo técnico em linguagem científica-espacial. Um fio de cabelo galáctico.

Pra se ter uma idéia melhor: na comparação da reportagem, se o coração de um humano adulto fosse do tamanho da Terra e o asteróide, um projétil de revólver, o tiro acertaria a coxa. Com o potencial destrutivo de 1000 bombas nucleares.

Como o pedregulho tinha entre 21 e 47 metros de diâmetro, só foi possível detectá-lo dois dias antes de sua aproximação.

E você, aí, sem saber de nada. Alheio a eventos cósmicos de suma importância e de seu interesse, se preocupando com a zaga do Galo ou se vai chover no sábado.

Boêmios no divã

1.3.09

Vamos parar de falar merda sobre o Bolsa-Família?

Detesto falar de pobre. Mas as circunstâncias às vezes me obrigam. Como o que se segue está pessimamente escrito, e eu não vou revisar porque tenho mais o que fazer no sábado à noite, vai tudo na extended entry para não enfear o blog

O que é o Bolsa-Família, esse programa abraçado pelo Banco Mundial e pelo Consenso de Washington? É claro que não vou fazer um post preciso e didático, porque ia ficar mais chato ainda e eu acabaria não fazendo. Bem, o BF tem um quê de Milton Friedman: dê dinheiro ao sujeito e não coisas (comida, por exemplo) que você acha que ele necessita. O miserável sabe usar muito melhor o dinheiro em benefício próprio, comparado com o que você daria a ele usando o mesmo dinheiro. Isto é um aspecto.

O outro é o seguinte. Nos anos 60 e 70, quando nossa população explodiu, o Brasil optou por grandes obras e otras cositas más em detrimento da educação das massas que surgiam. Criamos, com isto, um enorme contingente de sujeitos sub-educados e ineptos a sobreviver dignamente no capitalismo, que continuaram a se reproduzir, chegando até a massa atual de sujeitos sub-educados e ineptos a sobreviver dignamente no capitalismo.

O custo de pegar um sujeito destes, a partir dos 18 anos de idade, e transformá-lo num cara minimamente educado e apto a sobreviver dignamente no capitalismo provavelmente daria para pegar 500 crianças de 3 meses em lares de analfabetos e miseráveis e, dando – digamos – dois ou três anos de atenção especial intensiva a elas nesta tenra idade, criar uma grande probabilidade de que a maioria delas, quando crescer, se torne minimamente educada e apta a sobreviver no capitalismo, mesmo que, depois daquele programa intensivo, continue a morar no contexto miserável em que nasceu. Isso está praticamente provado, ok?

Ora, você não vai gastar os recursos públicos escassos tentando – a um preço caríssimo, e com opções de gasto tão mais atraentes quanto a descrita acima – transformar adultos sub-educados e ineptos a sobreviver dignamente no capitalismo em adultos minimamente educados e aptos a sobreviver dignamente no capitalismo. A menos que você seja uma besta, você vai investir nas crianças, e quanto mais cedo, melhor.

Então, o que fazer com esta massa de adultos sub-educados e ineptos? Até os anos 90, a opção foi a de deixar eles se foderem. Aí entram dois aspectos. O primeiro é moral e político (no sentido nobre da palavra). A sociedade brasileira falhou com estes caras, ao deixar que crescessem sub-educados. Agora, ela tem uma obrigação moral de garantir que eles tenham um mínimo de dignidade até morrer. O BF é em grande parte isso: um mínimo, pequenininho mesmo, que você dá aos ineptos porque um país decente responsabiliza-se por todos os cidadãos. É muito barato e não dá para comparar com o custo caro, e com o foco rombudo, das aposentadorias que no fundo são benefícios sociais dadas a idosos e supostos idosos no valor de um salário mínimo. So, voltando ao BF, a tal porta de saída para os adultos não é tão importante quanto dizem. É claro que se deve tentar. É claro que vamos dar a eles alguns instrumentos para ver se saem da inépcia. Mas não esperem grandes coisas. O Brasil já fodeu com estes caras quando eles eram criancinhas. O BF é um preço pequeno a pagar (e é pouco mesmo, em termos fiscais) para o crime de ter gasto na construção de Brasília o que não se gastou para educar a molecada em plena explosão populacional.

Bem, o segundo aspecto é sócio-econômico. Estes ineptos são pais de crianças que potencialmente podem não ser ineptas. É por isto que há condicionalidades educacionais e de saúde. Para que as crianças dos ineptos consigam ser minimamente educadas. As condicionalidades, especialmente as de educação, estão sendo paulatinamente implementadas. É um desafio logístico e de sistemas gigantesco. É um problema eminentemente técnico. Se você vir dois gerentes do BF conversando sobre cadastro e condicionalidades, e se você não for familiarizado com estatística e sistemas de computação, não vai entender xongas. Não tem nada de frei Beto e das emoções baratas da solidariedade. É um papo técnico chato e pesado pra chuchu.

Um aspecto pouco entendido do BF, como gosta de frisar o Ricardo Paes de Barros, mencionado pelo Matamoros, é que a merreca que as famílias recebem às vezes é o que as tira do caos da indigência e permite que haja um mínimo de estabilidade no processo educacional das crianças. É a menina de 8 anos que não precisa faltar escola para cuidar do irmão de 4 quando a mãe fica doente, é a mãe que pode andar todo o dia com o filho até o distante ponto de ônibus (já que não precisa fazer um bico nessa hora), é o dinheiro do transporte, do material escolar, etc. O fluxo regular de grana do BF dá um mínimo de organização a estas famílias, que elas não teriam se dependessem apenas dos ganhos muita vezes irregulares dos trabalhos miseráveis. O Paes de Barros compara o BF a uma bolsa da Capes ou do CNPq, que é uma grana que permite ao mestrando ou doutorando estruturar a sua vida para se dedicar ao estudo. O BF é uma bolsa que permite ao pobre e miserável estruturar a sua vida para que suas crianças se dediquem ao estudo.

Bem, as pesquisas indicam que a tal substituição de trabalho por BF (a mãe e o marido param de trabalhar), apontada pelo Jarbas Vasconcellos quando chegou no seu restaurante predileto e não encontrou os serviçais de costume, é muito pequena ou inexistente. Na verdade, a substituição seria até boa até certo ponto, porque, ao rarear a oferta de trabalho nas profissões mais humildes, ela elevaria salários. Ela poderia também eliminar, ou reduzir muito, as ocupações aviltantes, tipo trabalho escravo, ou nas piores usinas de açúcar, etc.

As pesquisas também indicam que o BF é um dos programas do gênero no mundo com o menor nível de fraudes. Fraudes existem em qualquer programa social, seja no Congo ou na Suécia. Com 11 milhões de famílias beneficiárias, se todo o dia o Jornal Nacional mostrasse 1000 casos novos de fraudes no BF, ainda assim, em termos estatísticos, o BF ainda seria um dos programas de gênero com menos fraude no mundo.

Bem, enchi o saco de escrever sobre pobre. Arre!

torre de marfim

24.2.09

do parto

Acordei mais ou menos à uma da madrugada do dia 26 pra 27 de janeiro pra fazer o enésimo xixi da noite. Só que o xixi veio acompanhado de uma dor muito chata que eu imagino que fosse uma cólica menstrual mais forte (não sei porque não tenho TPM). Na verdade eu tinha passado o dia inteiro sentindo essas dores, mas como fiquei batendo papo com a minha mãe, me distraí e nem prestei atenção. Dessa vez não dava pra ignorar: era forte MESMO. Como veio e passou, sentei no computador pra terminar umas três laudas de um trabalho que eu tinha que entregar no dia seguinte. Terminei às duas da manhã e ainda tentei dormir de novo, mas de vez em quando a dor voltava e não dava mais. Acordei Mirco e mamãe e tocamos pro hospital de Foligno.

Chegamos lá às quatro da manhã. Subimos até o segundo andar e demos de cara com a enfermaria de obstetrícia completamente vazia e às escuras. Ninguém na recepção, nada. Àquela altura eu já tava me contorcendo de dor e começando a mandar praquele lugar toda vez que sugeriam que era melhor eu sentar (também não sei onde queriam que eu sentasse, já que não tinha bancos nem cadeiras em lugar nenhum). Mirco desceu até a entrada do hospital pra catar alguém e voltou acompanhado de uma enfermeira que apontou pra uma salinha. Tocaram a campainha e saíram duas enfermeiras com cara amassada de sono. Uma delas pegou um interfone e falou “grávida em trabalho”. Logo apareceu a obstetra, uma senhora baixinha de óculos com uma cara sorridente que me botou logo pra fazer o traçado tocográfico. Eu avisei a ela que provavelmente já estava bem dilatada, já que de acordo com os últimos exames físicos e ultras a Carol tava prontinha pra nascer há o maior tempão, com a cabeça encaixadona. Mas ela tava com outra grávida na sala de parto e me deixou lá com o monitor. As contrações foram ficando mais freqüentes e eu já tava subindo pelas paredes de dor. Quando ela voltou, meia hora mais tarde, olhou pro monitor e travou-se o seguinte diálogo:

- Xiii, que contrações xexelentas… Pode ser que eu tenha que mandar você de volta pra casa…

- Nãoooooo! Dá pra fazer um exame físico? Eu tenho certeza que estou dilatadaAAAAAARGH!

- Vamos ver…

(Fez o toque)

- Caraca. O colo do útero tá mole feito manteiga, dilatadérrimo!

- …

- ‘Bora, ‘bora! Cadê a camisola?

Botei a minha camisola, apareceu alguém com uma cadeira de rodas, me sentaram na cadeira e me levaram embora pra sala de parto.

- Senhora, onde estão os seus exames?

- Putz, esqueci!

- Como assim, esqueceu? Não estavam na mala?

- Não, porque eu tinha outro traçado marcado pra daqui a quatro horas, os exames estavam perto da porta!

- Vou pedir pro seu marido ir buscar.

Chega a anestesista.

- Ouvi dizer que a senhora está sem os exames.

- Meu marido foi buscar. Mas os resultados da coagulação estavam todos OK. AAAAAARGH!

- Tem certeza? Olha lá, hein!

- Tenho sim, TAP, PTT, fibrinogênio, tudo normal. AAAAAAAAAAAAAAI!

- Vou confiar em você porque tô vendo que você é uma pessoa instruída e entende os riscos em caso contrário.

- Obrigada obrigada obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaai!

Sento na borda da cama, curvada pra frente.

- Hm, a sua coluna é tão ruinzinha…

- (em pânico) COMO ASSIM RUINZINHA? AAAAAAAAAAAAAAI!

- Um pouco de escoliose, e os processos vertebrais são pouco visíveis, não tô conseguindo encontrar um ponto de referência… [vejam como ela foi diplomática e escolheu não comentar o fato de que eu engordei feito um javali e isso também não ajudou]

- Confio na senhora, doutoraAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH!

- Vou tentar aqui… (passa um tempinho) Nada. Vou tentar de novo. (mais um tempinho) Hm, nada… Vou tentar só mais uma vez, senhora, se não der agora não vou ficar furando você não, vamos desistir.

- Pode me furar à vontade, pelamordedeus pelamordedeus pelamordedeus faz parar essa dor malditaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

- Caramba, não sei como mas eu consegui!

A obstetra sorridente cochicha no meu ouvido:

- Não falei que essa anestesista era batuta?

(Ela passou o tempo todo me dizendo pra ignorar o idiota do ginecologista, que ficou puto porque eu não tava com os exames e era antipaticíssimo, e repetindo que a anestesista era foda e que ia conseguir com certeza.)

Dou um enorme suspiro de alívio quando sinto a anestesia fazer efeito. A dor é substituída por, perdoem-me o TMI, vontade de fazer cocô. Só que eu também estava com vontade de fazer xixi. Quando falei pra obstetra que estava apertada, ela achou que era vontade de fazer cocô, ou seja, o estímulo pra fazer força pro bebê sair. Eu, anestesiadona e totalmente fora do ar de tanto que eu já tava de saco cheio daquilo tudo, nem lembrei de especificar que eu queria era um xixizinho básico. Quando finalmente a obstetra deu o OK pra eu empurrar, chegaram duas enfermeiras suuuupersimpáticas, uma jovem lourinha e uma feia com cara de brasileira, e a pediatra, uma senhora de cabelos grisalhos cortados Chanel. Todas fazendo a maior torcida e me dando os parabéns por estar encarando tudo sozinha (a minha mãe estava na sala ao lado e o Mirco foi sumariamente enxotado por mim), a obstetra repetindo “vai, vai, força que os cabelos estão chegando!”, eu empurrando, sem gritar mas fazendo nnnnnnng! até a garganta doer… e nada. As contrações não eram fortes o suficiente. No final das contas me deram uma oxitocina básica e logo depois a Carol saiu, se esgoelando. Apgar 10 e 10. Nasceu às seis e meia do dia 27. Um parto relativamente rápido e sem complicações, com dois pontos de episiorrafia, mas quer saber… VAI DOER ASSIM NA CASA DO CARALHO. Ninguém merece, juro. Não consigo nem imaginar esse povo que encara trabalho de parto de não sei quantas horas sem anestesia.

Agora… Ô país mais atrasado, vou te contar – Foligno é o ÚNICO hospital de TODA A ÚMBRIA a oferecer epidural grátis e disponível 24 horas por dia. E quando eu dizia que ia ter neném em Foligno porque tinha epidural, todo mundo me olhava de modo estranho e perguntava, “ué, mas por que você quer epidural?”. Juro. Zaireeeeeeeeeeeeeee!

(A minha resposta pronta era “porque não estamos mais na Idade Média, dahling”).

pacamãe

O que importa é que

eu tô de folga em pleno Carnaval! Ano passado trabalhei na véspera de Natal, na véspera de Ano Novo, no Carnaval inteiro e em outros feriados também. Tá bem mais folgada a coisa este ano, e no ano que vem eu terei ESTABILIDADE ahhahaha, quero nem saber de mais nada!

Passei o dia jogando Crash (Mind over mutants). Bom, antes disso, fui na imobiliária receber o aluguel do apê e depois fui no banco. De biquini, é, pela areia da praia. hahahaha Vida surreal, a minha. Eu acho. Eu tô torrada e tô gostosa pra caralho (modéstia às favas), e tô pesando um quilo a menos do que eu pesava ano passado (tenho anotado meu peso do ano passado num caderninho. Não vou postar meu peso, né, aí também já é exagero). Não importa o quanto eu peso, só importa que é um quilo a menos do que no ano passado. Deve ser a fuck diet (e as caminhadas quase diárias na praia). O que realmente importa é que dizem que a gente depois de sei lá que idade engorda um quilo por ano? É isso que dizem? Então tô no lucro.

Mas é muito louco andar por aí de biquini. Eu tinha pudores e tal, sou paulistana, amarrava a canga em cima. Outro dia falei foda-se, fui na padaria ali da esquina com a canga amarrada na cintura. Nossa, nunca antes na história desta ilha aquele português escroto foi tão gentil.

Ok, farei isso mais vezes. Não adianta a gente querer vencer pela inteligência hahahaha, e, na minha idade, só quero mesmo ser reconhecida pelos meus peitões gostosos dotes CUlinários.

ceu azul

Auto-preservação II

Esqueça, patético. O mercado de ações nunca vai acabar. Aliás, o mercado financeiro em si nunca irá acabar. O mercado existe há mais tempo que a prostituição (que muito provavelmente se originou da necessidade de comemoração de bons dias de traders de arroz futuro na China em 5123.AC).

Os problemas no mercado são em geral provocados pelo famoso "Efeito Manada". Mas isso não é culpa do mercado e sim do instinto de auto-preservação do ser humano que o faz agir igual seus pares mesmo que isso vá contra a racionalidade e o bom senso.

É o Efeito Manada o responsável pela criação e pela destruição das pirâmides e bolhas. Cada tendência de alta ou baixa nada mais é que uma pirâmide em formação, com prazo para estourar.

The bigger the bubble, the bigger the plop.

Vamos a um exemplo prático de bolha no nosso dia a dia, o trânsito de SP. Devido ao rodízio de placas ninguem mais compra carro com placa final 9 e 0 a fim de poder viajar cedo na sexta-feira - caso contrário terá de esperar até as 20hs qdo termina o rodízio. O resultado dessas ações é que sexta-feira é o dia que o rodízio menos tira automóveis das ruas, provocando os piores engarrafamentos da semana e, adivinhem, atrasando ainda mais a saída daqueles que queriam sair cedo pra estrada.

Efeito Manada é também conhecido como a Síndrome do Pensamento Único.

Vocês viram alguém na imprensa questionando ou investigando a versão da brazuca maluca na Suiça? Não, todos os veículos repetiram absolutamente as mesmas asneiras sem checar porra nenhuma. Todos deram o furo e a barriga juntos. Manada.

O mercado de ações é o mais evidente porque é o menos sofisticado e mais popularizado. É o sacolão do mercado. Qualquer cachorro pode ouvir uma dica numa conversa de boteco e fazer sua aposta até mesmo pelo celular. O perigo mora nos mercados mais sofisticados, muito provavelmente aqueles que vocês só ouvirão falar depois que a cagada já ocorreu como no caso dos sub-primes e como na futura cagada dos CDSs (essa a gente em breve vai ouvir falar também).

Os tais "derivativos", que até então pareciam uma coisa distante e extremamente sofisticada já aparecem sendo oferecidos no varejão. Até no Facebook não raro aparecem advertisings de corretoras que te dão uma plataforma para especular com petróleo futuro a um clique de mouse. Isso aí: faça sua fezinha e colabore para que os mercados percam completamente os parâmetros e o equilíbrio real entre a oferta e demanda.

Mas nada disso é esclarecido ao grande público porque os bancos pagam bônus gordos a economistas craques em arrumar justificativas fundamentalistas para os movimentos das pirâmides e bolhas. Depois que elas estouram, claro.


pao mole

18.2.09

coisas que eu vou fazer quando for rica

- não só vou fazer hidratação e escova de vez em quando, como nunca mais vou pro meu cabeleleiro bosta de vinte reais o corte; vou voltar pro que eu cortava quando meu pai pagava pra mim, a 3 vezes isso. ah, e nunca mais uso xampu de marca genérica de 4 reais.
- chocolate, só lindt pra cima.
- todo o mês, vou comprar algum mimo totalmente desnecessário: gloss, calcinha nova, enfeitinhos para a casa... essas coisas que ninguém precisa mas é gostoso ter.
- aliás, eu vou morar numa casa bacana, claro; e devidamente mobiliada.
- vou usar um lap-top. e o computador fixo vai ser desses com monitor fininho. e vou ter um i-pod! vou adorar meu i-pod.
- vou fazer as unhas. toda a semana, se tiver saco pra isso.
- vou comer muita pizza, e muita, mas muita comida japonesa.
- vou comprar mais presentes, e melhores, pros amigos.
- vou fazer bunda-shake, procedimento anti-celulítico também conhecido como drenagem linfática.
- não vou mais comer com os pais ou com a sogra só pra ter uma refeição a menos pra pagar. (e minha relação com eles vai melhorar bastante em decorrência.)
- vou voltar a depilar tudo só com cera quente descartável, em lugares higienicamente confiáveis, e nunca mais vou usar meu aparelho depilador caseiro.
- não vou aceitar mais "doações" (por exemplo, não vou ter mais um celular ou uma peça de roupa que não sejam meus desde o começo). E nunca mais vou ganhar dinheiro como presente.
- vou ter os cds que gosto mais em cd mesmo, não só baixado no computador.
- e – ôu, iéee - vou aumentar consideravelmente a população da minha gaveta de brinquedinhos safados.

e principalmente: vou viajar muito com o maridão.

tá, não precisa ser muito rica pra fazer essas coisas, mas se um dia eu tiver grana pra elas, tenho certeza que é assim que vou me sentir.
quando eu era pequena, minha mãe dizia que se fosse rica ia beber coca-cola todo o dia. aí a gente melhorou de vida e ela pôde. ainda faltava muito pra sermos ricos, mas eu me lembro da sensação, na adolescência... de olhar o refrigerante na mesa ou na geladeira e me achar muito privilegiada.

é bom prá quem gosta

Nó na língua

Receita para não falar nada direito:

Use o português, o inglês e o espanhol diariamente. Gabe-se de ser tão boa nisso. Mantenha o “alemão: fluente” devidamente documentado e encaixotado no seu CV. Agora mude-se para a Suiça. Comece a falar não três, mas quatro idiomas ao mesmo tempo. Adicione uma pitada de alemão suiço. Pronto. Agora você adquiriu a habilidade de não falar NENHUM dos idiomas direito. Mexa bem e sirva.

ploft

Eu quando fico louca da buceta saio apagando tudo quanto é email, fotos de orkut, arrumo closet, jogo um monte de coisas, outras eu dou pra moça que vem limpar a minha casa e outras dou pra Bianca brincar.
Vai que picando trocentas calcinhas velhas e sutians, achei umas calcinhas da época de solteira, época Deusqueajudeeproteja e olha...se as calcinhas falassem....hahahahaha...que medo.
Pronto. Picadas, destruídas e no lixo.
Done!

uh baby!

Malandragem IV

Peguei minhas coisas e fui pro banheiro. Natália perguntou se podia ficar comigo, eu deixei. Tirei a roupa e ela ficou me olhando. Enquanto estava no chuveiro falamos um monte de coisas bobas, depois saí e me enxuguei. Fomos deitar no quarto dela, que tinha bicama. Ela pediu pra eu contar uma história, contei a história do sapo, acordamos no outro dia, troquei a roupa dela e depois comecei a me vestir. Tirei o sutiã que estava usando e peguei outro. Natália disse: “Você dá ele pra mim?” Aquele sutiã tinha custado vinte e cinco reais. Eu ia ganhar cinqüenta pra passar o fim de semana com ela. Ela não tinha peito nenhum, nem ia poder usar. Mas ela pediu de novo e eu dei.

sete linhas

Estrias

Na nossa última sessão doméstica de cócegas em família, as meninas descobriram que tenho estrias na barriga. Perguntada, expliquei o que era e como apareceram.
E elas acharam a coisa mais legal! Quiseram saber qual estria era de qual gravidez e disputavam entre si: "esta aqui é minha, essa menor é que é sua!"

Preferia não tê-las, mas renderam mais sorrisos do que jamais imaginei.

mesa de bar

Saudade

Uma vez eu peguei um ônibus de Mafra a Lisboa, talvez o primeiro da manhã. Era uma das últimas da fila. As pessoas foram entrando e se acomodando, e acabou não sobrando um lugar para mim e uma amiga. O ônibus tinha música ambiente. Sentamo-nos no fundo do carro, sobre o assoalho. Nesse momento da manhã, silencioso apesar da música ambiente, começou a tocar, num outro país a milhares de quilômetros do meu (mesmo que a língua fosse a mesma, em termos), "Romaria", com a Elis Regina e, de repente, eu me senti um objeto apartado da minha origem e ligada a ela por um elástico tenso e doloroso e, ainda assim, doce.

festa movel

Tava pensando aqui. Sobre as nossas possibilidades de diversão nesse mundo. Sexo, óbvio. Comida, bebida. Livro, filme, música. Pra alguns, esporte. Drogas. E bater papo. Tem mais alguma coisa? É basicamente isso, né? Meia dúzia de coisas. Que mundo de merda!

FDR

É LIXADO VOAR QUANDO NÃO SE TEM ASAS

Uma pastora de Melgaço ganhou sessenta e oito mil e tal euros no euromilhões. Está certo, podia ser melhor, mas a malta já não se importava de ficar com eles. Então agora, adivinhem vocês o que é que ela fez com a massa? Certo, comprou um Mercedes e ficou novamente tesa e a ter que ir pastar as cabras para o monte todos os dias. Mais, como aquela merda não lhe dá jeito nenhum porque é muito grande para as ruelas que ela frequenta, continua a usar o velho Opel.

Todos nós temos fantasias para a eventualidade de, de um momento para o outro, nos cair em cima um pipa de massa. Para uns é construir uma mansão, para outros fazer uma viagem espacial, para outros ajudar o próximo, investir num negócio, renovar o guarda-roupa, mandar o chefe levar no c..., arranjar um/a gajo/a bom/boa. Isso varia com os padrões, o estatuto e o contexto social, os sonhos, a educação e os conhecimentos, as expectativas de vida. O grau zero encontra-se aqui: Viver com a simplicidade duma pastora de cabras e ter como sonho último... um Mercedes à porta.

Isto fez-me lembrar um cartoon do Quino que não consegui encontrar, mas que retrata um pastor que, cá de baixo, vê um avião cruzar os céus e sonha com uma viagem, na qual a hospedeira lhe serve pão de mistura com rodelas de enchidos cortadas à facalhona.

farinha amparo

Confissões musicais.

Gosto do Roberto Carlos. Inlusive de muitas das românticas. Certa vez escutei “Emoções” quatro vezes seguidas, cantando bem alto: “o importante é que emoções eu vivi”. Meus vizinhos são prova disso.

Quando estou na fossa tiro da estante meus discos de samba-canção. Dá-lhe Lupicínio Rodrigues, Cartola, chego a roubar alguns do Nelson Gonçalves que pertencem ao meu pai. Cada verso ajuda-me a cultivar a dor de cotovelo, as melodias dolentes são pontada certeira nesse peito fragmentado. Haja melancolia…

A primeira canção que aprendi a tocar no violão foi “O Pica Pau”. A gravação original é do Tremendão, bem na época da Jovem Guarda. Aliás Erasmo Carlos carrega consigo a sina de ter cantado no primeiro show que presenciei ao vivo. Eu tinha uns oito anos. E passei a apresentação inteira prestando atenção numa guitarra preta que eu achei a coisa mais linda do mundo!

Compuz uma música no tempo de criança. Lembro-me somente de um verso: “Mãe, apronta logo meu jantar que a minha fome é de matar.” Na harmonia, só dois acordes. Em minha cabeça, pensei que eu era um gênio.

Quando dependurei uma guitarra em meu dorso sonhei em ser rockstar sem camisa. Porém, nunca tive biotipo de astro do rock. Era louco para tocar de peito aberto em festivais de colégio, porém morria de vergonha. Virei adolescente bitolado que estuda oito horas de técnica por dia. Meus dedos ficaram ágeis. A timidez permaneceu a mesma.

Hoje finjo um bom gosto musical constante. Falo de Chicos, Caetanos, Jobins, Miles, Coltranes. Gosto de pianistas eruditos, passo horas conversando a respeito. Mas no fundo, bem lá no fundo, basta uma desilusão para eu lembrar dos “detalhes tão pequenos de nós dois”.

ecm

24h

Cheguei em casa, empregada-babá estava com febre. Brinquei com menino, fiz meia hora de Wii Fit, dei banho, botei para dormir, preparei um omelete e o mingau do café da manhã (ao mesmo tempo), deixei a mesa posta. Dormi. Acordei antes do sol, de novo. Desmarquei a manicure, tirei o esmalte descascado. Dei o mingau do menino, aprontei para a escola, peguei ônibus, conversei com a professora, fiz uma social básica com a mãe da coleguinha. Tomei outro ônibus. Peguei o carro na revisão. Cheguei no trabalho, corrigi um erro no documento que tinha sido enviado ontem, avisei a quem de direito. Respondi e-mails, dei telefonemas. Providenciei o pagamento do IPVA. Empregada-babá avisou que não tinha melhorado. Tentei articular um esquema alternativo, mas meu esquema alternativo estava em reunião. Saí correndo, peguei menino na escola, deixei na casa do avô, dei banho, dei almoço, consegui organizar esquemas de leva-e-busca para a psicóloga e o judô. Engoli um almoço que nem sei que gosto tinha. Voltei correndo. Preparei uma apresentação importante para amanhã. Não consegui adiantar o serviço pendente. Li alguns blogs. Gastei uma pequena fortuna de estacionamentos. Esqueci de tirar dinheiro no banco, pedi emprestado. Tomei remédios diversos em horários variados. Marquei três exames em três clínicas diferentes. Atravessei o Rebouças três vezes. (Três é o número do dia.) Já que não estava fazendo nada, masquei um chiclete. Liguei para minha mãe para pedir ajuda e recebi uma notícia ruim (mas consegui a ajuda que precisava, o que foi bom). Suei horrores. Peguei muita, muita, muita chuva. Perdi o horário da análise por causa do engarrafamento provocado pela chuva. Voltei para casa. Incomodada ficava minha avó.

Jack Bauer, my ass. Queria só ver esse gringo dando conta da maratona motherna de cada dia, amém.

-Monix-

Skindô skindô

Ano passado eu comprei uma fantasia de havaiana linda e maravilhosa e a Joana vestiu uma vez e não quis mais usar. Ora é a saia que incomoda, ora é a parte de cima ("não é fantasia, é biquini"). Ela diz que é bonita, experimenta, mas no final sempre dá um jeito de não usar. Diante de mais uma recusa na semana passada, desisti de vez. Daí hoje passou na televisão um comercial ou desenho com bonequinhas havaianas dançando hula hula. Na hora ela começou a cantar um tal de "hula hula da xuxinha", que eu desconheço solenemente. Quase deu pra ver a lâmpada acendendo acima da cabeça, no momento em que ela fez a associação hula hula da xuxinha - roupa das bonecas dançando hula hula da tv. Ela deu um pulo e gritou empolgadíssima: "eu tenho a roupa do hula hula! me mostra, mamãe!", e pediu pra ver se estava no armário. Eu não me fiz de rogada, ignorei a influência da xuxa na história e saí correndo pra pegar (me perguntando porque insistia em chamar de "havaiana" quando deveria desde o início ter dito "fantasia de hula hula"). Ela amou e já queria vestir na hora. Um ano de fracassos e essa loira aguada resolve a parada em um minuto. Eu mereço.

bocozices e joanices

13.2.09

FESTA NO INTERIOR NA CIDADE GRANDE

E nessas minhas andanças eu acabo pegando cada trecho de conversas sem noção, que são de chorar no cantinho....

No aeroporto em Curitiba, um avião de uma companhia totalmente estranha, tipo Chinesa, coreana, japonesa....sei lá, algo desta natureza. e duas adolescentes conversam com pai, super culto e ídolo das filhotas....

-Nossa, mas sai vôos para China aqui de Curitiba.
-Não, direto não, ele faz escalas.
-Onde pai?
-Ah, ele sai daqui e faz escala em Maringá. Depois vai pra China.

Oi? Ta certo que Maringá é uma cidade grande, mas ponte aérea Pequim - Maringá, não, né?

gorduchas